“O que se espera de uma nação
Que o herói é a televisão
Que passa todos os seus meses mal
Dá pra brincar, dá pra comemorar
Só não se sabe muito bem por que
Entrou de cara na realidade
Na quarta feira que eu quero ver:
Na quarta feira é a volta pra realidade que arde
Acaba a comemoração apaga a televisão pra não gastar a
Como na Cinderela carruagem volta a ser abóbora
E na favela o carro alegórico some
E volta às sobras: sobra de feira, sobre de terra, sobra de
Sobre de lama, sobra de bala perdida, sobra de comida
Pra mucama, mucama que nada exclama, que não reclama, que não se
Só basta ter novela, põe na tela todo mundo ama todo mundo
Mas na vida real todo mundo se odeia
E ódio gera ódio, um sobe no pódio, outro serve a ceia
Ceia do natal, tem Xuxa no carnaval
Mucama deitada na cama beijinho, beijinho pau pau. Tchau!
Eu só vou te usar, você não é nada pra mim
Já temos outra pra colocar no seu lugar - Pirlimpimpim!
Abracadabra, é como mágica, mas não é abra-te Sésamo
Porque aqui as portas só se fecham
Bum! É menos uma oportunidade
Não é só a quarta feira que é de cinzas, na verdade é a semana
Quinta, sexta, sábado, domingo e segunda
E o povo mucama continua sorrindo levando nas coxas,
Mas não faz mal, porque depois melhora tudo, é,